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terça-feira, 1 de agosto de 2017

A Hora do Conto | Quilômetro Cinza (Um caso vampiro em São Paulo)

Para um bom inicio de mês nada melhor que o inicio de uma nova rubrica. Desta vez trago-vos a rubrica A hora do conto com um convidado além mar. O grande escritor Rob Camilotti veio diretamente do Brasil trazer-vos um conto de suster a respiração. Um conto onde o mundo sombrio da alma vampirica o torna um contigo só para adultos. 

Sentem-se cómodos e deixem-se levar pelas palavras. Vivam as aventuras e desventuras que um bom conto vos pode proporcionar. 



CONTO: Quilômetro Cinza (Um caso vampiro em São Paulo). 
Escrito por Rob Camilotti. 

Hiroilto foi sem destino então. Fincou a chave no carro, desobedecendo a advertência veiculada continuamente no rádio para que ficasse em casa dada à excepcionalidade do que ocorria com o tempo em São Paulo. - “Talvez, o clima esteja igual no mundo.” - pensou enquanto dirigia. 

“Que está acontecendo?” - a neve caía torrencial ao longo da Bandeirantes, em flocos grossos, instalando o frio que não era menos aterrador. Foi percebendo que, enquanto dirigia, era literalmente o único em toda a cidade que havia tido a ideia de se atirar ao desconhecido, mas dirigiu o carro com cuidado em todo momento. Certa hora, Hiroilto parou ao avistar, no acostamento da marginal, um menino sozinho que não aparentava ter mais de dez anos. Deu duas pancadinhas no vidro do carro como quem o anunciava que podia se aproximar, só que o menino porém limitou-se a olhar em sua direção, dando a entender que não entendia o que Hiroilto queria. - “Ele vai morrer congelado se eu não tirá-lo de lá”. - abriu a porta do carro e se entregou ao frio. 

A pista estava escorregadia por causa de uma crosta de neve que, com alguma rapidez, acumulava-se nas bordas, quase que se estendendo a um rio congelado. Tinha que ser mais ligeiro no resgate ao menino. - “Não tenha medo, garoto, deixa eu te ajudar!” - estendeu-lhe a mão enquanto caminhava, para que viesse ao seu encontro, porém, de novo, o menino não reagiu. Valente, no que se aproximou, Hiroilto envolveu o menino nos seus braços e o levou com ligeireza para dentro do carro. - “Que merda, Hiroilto!” - na pressa de socorrê-lo, Hiroilto esqueceu de fechar a porta ao sair do carro e uma boa camada de neve encobria todo banco do motorista. Com duas braçadas generosas, expulsou a maior parte da neve. Entrou no carro mesmo assim e colocou o menino sentado no banco do carona, ao seu lado. 

“Ufa, que aventura hein?! Como se chama, garoto?” 

O menino respondeu: 

“CD.” 

“CD?” - sorriu para o menino, que fez que sim com a cabeça. - “Prazer em conhecê-lo, CD. Vou levá-lo para casa, certo? Onde estão seus pais?” - Hiroilto não disfarçou a afeição que já sentia pelo menino. 

CD não o respondeu. Em vez disso, lançou-lhe um olhar opaco, fosco, inabilitado de sentir. Hiroilto presumiu desse modo que o menino não tivesse os pais e que, justamento por isso, o encontrara na rua. 

“Pobre garoto!” - exclamou baixo. Disse em seguida. - “Vamos ficar juntos até que a neve passe e depois te levo para uma delegacia. Quem sabe eles não te arrumam uns pais bem legais! Combinado assim, CD?” 

CD o encarou com desinteresse. Deu-se a entender que, para ele, tanto importava o que fariam depois. CD tinha o rosto e as mãozinhas tão brancos que impressionavam fortemente Hiroilto, e cada vez mais. 

“Está com frio?” 

“Um pouco.” - CD respondeu. 

“Coitadinho! Não se preocupe porque já estamos chegando. Vou te levar para casa.” 

E Hiroilto passou-lhe as mãos nos cabelos, confortando-o. Ao fazer isso, se impressionou mais uma vez: os cabelos de CD estavam extremamente secos e sua pele, sem viço algum, ficava cada vez mais branca, diferente em comparação a qualquer outra que já havia visto, como a de um cadáver de um menino congelado. Em seguida, ao levar a mão ao nariz e cheirá-la, quase vomitou ao sentir um cheiro terrivelmente podre em um pouquinho de óleo que se impregnara na ponta dos dedos. Era como se houvesse acabado de passar a mão na carniça de um animal morto. Assustado, decidiu levar o menino direto para uma delegacia, invés de levá-lo para casa como o havia prometido. 

“Estou com fome e eu quero comer agora.” - CD pôs as mãozinhas sobre sua barriga. 

“Já estamos chegando em casa, CD.” - Hiroilto escondeu-lhe aonde verdadeiramente estavam indo. - “Aguente só mais um pouco, combinado?” - e foi acelerando o carro, mostrando pressa em se livrar do menino. 

“Eu disse que eu quero comer agora, não me ouviu?” 

O menino, antes indefeso, se revelou então. Ao olhar para o lado, Hiroilto foi tomado pelo horror. Criatura medonha, a cabeça de CD revelou-se peluda; as orelhas, os olhos, o nariz e os dentes fininhos lembravam os de um asqueroso morcego. 

“Não precisa ser do jeito mais doloroso para você. Só quero um pouco de sangue. Vou transformá-lo.” 

“Vá embora, demônio!” - Hiroilto enfiou o pé no freio. 

Com toda calma possível, CD, pequeno conde vampiro, foi se aproximando lentamente do homem, que, já em paz e a vontade com seu destino, sentiu cravar os dentinhos na jugular. 

“Só uma dose do seu sangue.” 

*** FIM ***



O conto “Quilômetro Cinza” soma-se a outras quinze histórias que fazem parte do livro “Quilômetro Cinza e Outros Contos de Cabeça”. 

O livro está à venda na Amazon em formato eBook através do endereço https://www.amazon.com.br/dp/B073TRN521/ ou em versão impressa pelo link https://www.amazon.com/dp/1521801509/



Bons sonhos…

20 comentários:

  1. Gente que conto interessante! E de final nada previsível, terminei por ficar boquiaberta quanto CD se revelou completamente :O pobre Hiroilto, pequeninos dentes de uma fera faminha na jugular. Muito bom! Gostei

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  2. Um conto bastante interessante, gostei muito. Adoro este tipo de histórias, beijinhos linda <3

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  3. Meu Deus, fiquei chocada e ao mesmo tempo interessada na história. É o tipo capaz de prender minha atenção

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  4. Gosto de contos, livros e filmes de vampiro, achei esse bem interessante me surpreendeu ... Bjs (•‿•)

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  5. Não conhecia esse conto, achei muito legal e interessante, não tenho o costume de ler contos nem historias que abordam esse mundo de vampiros.

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  6. Que conto interessante. Vou procurar saber mais sobre. Parabéns pelo blog.

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  7. Já conheço o conto e me interesso em ler, porém, tem muitos livros na frente que ainda tenho que ler também.

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  8. Paula, como vai? Deixando esse singelo comentário para agradecer pela parceria e desejar sucesso p/ seu blog. Obrigado mesmo!

    Sobre o conto, espero que seus leitores gostem e, pelo qe já li nos comentários anteriores ao meu estão gostando.

    Abraço.

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  9. A temática muito me atrai, sua resenha está bem feita! Parece uma história bem fluida e bem surpreendente!

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  10. Menina que conto, de pobre criatura indefesa virou algo tão assustador! Fiquei super curiosa para saber o que espera Hiroilto, se vai se transformar, morrer... Gosto de contos assim.

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  11. Que bacana. Ainda não conhecia esse livros de contos. Eu gosto de ler alguns de vez em quando. Achei esse que você colocou super bacana!

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  12. Eu gosto bastante de contos, esse conto eu não conhecia, muito bom eu gostei ♥

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  13. Meu Deus, fiquei chocada e ao mesmo tempo interessada na história, eu gosto bastante de contos.
    living room decoration

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  14. olá!
    Adorei o conto, aliás adoro os contos e poesias do Rob Camilotti! Me interessei pelo livro vou lá na Amazon saber mais, parabéns pelo post!
    Abraços.

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  15. Eu tenho me interessado mais por contos tem pouco tempo.
    Eu estou de boca aberta com esse conto! Queria mais! Rsrs

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  16. Nossa !!!!
    Muito booom msm *-*
    Adoro contos <3

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  17. Que legal esse conto, gostei!
    Seu blog é lindo, parabéns! ♥

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BeijinhoBom*